Literatura Gospel



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O Segredo da Felicidade

"Se eu fosse rico, seria muito feliz." Verdade?

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus." S. Mat. 5:3 (RC)

Um líder francês disse que se o mundo tiver o que comer, e dinheiro bastante para gastar, e segurança, do berço até o túmulo, não precisará de mais nada.

Muitas vezes tenho perguntado a mim mesmo: Será que isso fará feliz o mundo? E tenho respondido sempre com uma negativa dura e enfática. Conheço não poucos ricos que se sentem infelizes e vencidos na vida. Há gente que possui tudo quanto o dinheiro e a fortuna lhe podem facultar, e que, no entanto vive atormentada; confusa, desanimada e derrotada. Quantas e quantas vezes ouvimos dizer perto de nós: "Se eu fosse rico, seria muito feliz." Ou, "Se eu pudesse ter uma boa casa, um carro novo e um bangalô à beira-mar, para ali passar o verão, ficaria bem contente."

Todavia, Jesus deixa bem claro que a felicidade e o contentamento não se consegue por esse meio. Afirmou que segurança e riquezas em si não fazem a alma contente e feliz.

O Sermão do Monte foi dirigido a dois grupos distintos: à multidão e aos discípulos de Cristo. Podemos, pois, concluir que ele tem significado e aplicação tanto para os discípulos como para a multidão, porque, se assim não fosse, Jesus não Se teria dirigido a esses dois grupos.

O Sermão deu aos discípulos uma visão da elevação e sublimidade dessa Canaã espiritual, na qual deveriam viver como seguidores de Cristo. Revelava o elevado plano moral em que tinham de viver. Mostrou-lhes que o ser cristão não é mero divertimento infantil.

Para a multidão, o Sermão do Monte foi o desvendar daquilo que realmente significa ser um seguidor de Cristo. Até aquele tempo Jesus tinha sido para a multidão um fascinante e discutido operador de milagres. Sua pessoa tinha bastante atração e magnetismo, Sua maneira era suplantadora e Sua voz possuía bastante autoridade e compelia o povo para ideais assaz elevados. Tudo quanto Ele era O distinguia como um homem de singular poder.

Era um mestre diferente dos demais, sabia debater todos os assuntos, e curava misericordiosamente a todos: era o homem mais gentil e mais terno já visto entre Seus semelhantes. Nunca tinham ouvido uma pessoa falar como Ele falava!
Aquela multidão, cujas vidas eram como monótona pasmaceira naquela terra longínqua e nada romântica, respondeu bem àquele Galileu. Gastar um dia todo, seguindo-O através das vilas em que Ele curava os enfermos, e abençoava os pequeninos, e falava acerca do reino de Deus, era experiência que jamais ficaria no olvido.

Naquele dia, é certo que muitos que O seguiam estavam vivendo em desânimo e decepções. A religião para muitos deles só tinha sido superstição e cerimônias ocas. Parecia-lhes mesmo que não havia nada de importante entre religião e vida. Achavam mesmo, que talvez jamais realizariam o seu sonho de felicidade; e, muito embora tivessem algum tempo conhecido o significado da palavra feliz, já disso estavam completamente esquecidos.

Mas, eis que Jesus agora vinha de novo colocar no vocabulário deles as palavras feliz e bem-aventurado! E, coisa melhor, vinha colocar a felicidade e a bem-aventurança dentro de seus corações e vidas.

Quando Jesus abriu Sua boca, a primeira palavra que dela saiu foi esta – feliz. Isto quer dizer bem-aventurado, contente, ou altamente favorecido. Feliz! Poderia haver palavra mais incongruente, ou imprópria? Aqueles que a ouviram naquele dia estavam bem longe de serem felizes ou bem-aventurados. Dominados pelo império romano, viviam como escravos. Pobres, desamparados, mal vestidos, escravizados por um governo estrangeiro, viviam sem esperança. Felizes! Como poderiam aquelas vidas miseráveis ser altamente favorecidas, abençoadas e contentadas? Logo, jungidas a essa primeira palavra, vinham outras quatro – "os pobres de espírito". Se Jesus houvesse omitido as duas últimas palavras, eles todos se teriam regozijado, porque eram pobres de fato. Mas Jesus falava dos pobres "de espírito".

Maravilhados, eles O escutavam. Escondido nessas palavras aparentemente enigmáticas, ou místicas, está o primeiro segredo fundamental da felicidade. A princípio ele nos parece uma contradição. Em geral achamos que os pobres são infelizes. Mas Jesus nos ensina que se acha a felicidade em meio à pobreza.

A que espécie de felicidade estava Jesus Se referindo? Acaso falava Ele dos que não possuem bens, propriedades ou riquezas deste mundo? Não, por certo.

Primeiro: Para serem pobres de espírito, vocês devem estar cônscios de sua pobreza espiritual.
Devemos nos apiedar daquele que, estando em grande necessidade, não a percebe. Lembremos de Sansão. Achando-se no vale de Soreque, cercado pelos chefes dos filisteus, "não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele" (Juízes 16:20).

Já se disse com grande razão que "o maior ignorante é aquele que nada sabe e não percebe que nada sabe", o maior enfermo é aquele que tem uma enfermidade fatal e não percebe isso, e o mais pobre deste mundo é aquele que nada possui e pensa que é rico."
O que havia mais para se lamentar nos fariseus não era a hipocrisia deles e sim o desconhecimento de quão pobres eram aos olhos de Deus. Há sempre algo de patético na pessoa que pensa ser rica quando é realmente pobre, que pensa que é boa quando é realmente má e vil, que julga ser educada ou preparada quando não passa de uma analfabeta.

Jesus nos contou a dramática história dum homem que baralhou suas idéias a respeito da pobreza e da riqueza. Tal homem, num solilóquio, todo cheio de si mesmo, certa noite, dizia: "Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te" (Lucas 12:19).

Nunca lhe ocorrera que a alma não se alimenta de bens materiais e que não é com carne e vinho que se sustenta o coração. Justamente por causa de sua estupidez e por haver dado maior importância às coisas materiais, Deus lhe disse naquela mesma noite: "Louco" (Lucas 12:20). E a todos quantos em qualquer tempo se virem tentados a arrazoar falsamente como aquele homem, Deus diz: "Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus" (Lucas 12:21).

Você, leitor amigo, tem um corpo com olhos, ouvidos, nariz, mãos e pés. O seu corpo tem desejos e apetites legítimos: apetece comer e beber, tem o apetite sexual, o apetite de companheirismo ou associação.

Mas a Bíblia lhe diz que você é mais do que corpo. É também alma vivente! A sua alma foi criada à imagem e semelhança de Deus. Assim como o seu físico tem certas características e apetites, também a sua alma os tem. Os característicos da alma são a personalidade, a inteligência, a consciência e a memória. A sua alma anseia por paz, contentamento e felicidade.

Neste mundo em que vivemos, costumamos dar maior atenção à satisfação dos apetites corporais e quase nenhuma aos da alma. Por isso somos unilaterais. Engordamos física e materialmente, ao passo que espiritualmente nos tornamos magros, fracos e anêmicos.

A alma, criada à imagem e semelhança de Deus, não se satisfaz completamente enquanto não conhece bem a Deus. E somente Deus pode satisfazer os profundos desejos, aspirações e apetites de nossa alma.
Você pode ter o encanto duma estrela de cinema ou a riqueza dum milionário do Texas e ainda assim não ser feliz e não ter paz nem contentamento. Por quê? Simplesmente pelo fato de ter dado atenção só ao corpo e não à alma.

A alma, na verdade, exige tanta atenção como o corpo. Precisa de amizade e comunhão com Deus. Precisa de culto, de sossego e de meditação. Se diariamente não se alimentar e exercitar a alma, torna-se ela fraca e mirrada. Acabará descontente, confusa e inquieta.

Muita gente se volta para. as bebidas alcoólicas, intentando assim sufocar os gritos e aspirações da alma. Alguns apelam para uma nova experiência sexual; outros buscam abafar as aspirações espirituais de outras maneiras. Mas, ninguém e nada satisfaz completamente a alma senão Deus, porque ela foi feita para Deus, e sem Deus ela fica em desassossego e em tormentos secretos.

O primeiro passo para Deus é perceber e sentir a sua pobreza espiritual. O pobre de espírito não mede o valor da vida por possessões terrenas, que se podem perder da noite para o dia, mas em termos de realidades eternas, que duram para sempre. Sábio é quem abertamente confessa sua falta de riqueza espiritual e de humildade de coração, e clama: "Oh Deus, tem misericórdia de mim, pobre pecador."
Na economia de Deus, o esvaziar vem antes do encher, a confissão de pecado antes do perdão e a pobreza precede às riquezas. Cristo disse que há felicidade no reconhecimento dessa pobreza espiritual que permite a entrada de Deus em nossas almas.

Agora, a Bíblia nos ensina que nossas almas estão doentes. E tal doença é pior que o próprio câncer, do que a poliomielite, do que a pior doença cardíaca. É a praga que causa todas as perturbações e dificuldades que há no mundo. Provoca todas essas confusões, atritos e desilusões de sua própria vida. O nome dessa doença é uma palavra terrível. Não gostamos de empregá-la. Mas é uma palavra que os psiquiatras estão começando a empregar de novo. Na ânsia de sermos modernos, quase que temos esquecido essa palavra, mas novamente estamos começando a sentir que ela está radicada em todos os males humanos. É o pecado.

O homem pecou contra o seu Criador. E Deus é santo, reto e justo. Ele não admite a entrada do pecado à Sua presença. Por isso o pecado se pôs entre Deus e o homem.

Portanto, agora devemos confessar que temos quebrado Suas leis, que estamos dispostos a abandonar nossos pecados e que reconhecemos que, sem a Sua amizade e favor, a vida é vazia e está arruinada. Isso não é coisa fácil! Sim, porque todos somos mais ou menos orgulhosos e expressamos tal orgulho de uma forma ou de outra. Detestamos confessar que estamos errados ou que temos falhado. Mas Deus diz: "Todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23). Não temos vivido de acordo com os padrões divinos. Não só temos errado os alvos que Ele traçou para nós, mas ainda os temos pervertido. Urge confessarmos os nossos pecados, pois que este é o primeiro passo para a felicidade, para a paz e o contentamento!

Esta geração, encorajada por muitas filosofias de segunda ordem, em vão tem buscado viver esquecida de Deus. O atual surto ou ressurgimento de religião no mundo é uma confissão maciça de que o humanismo falhou. Como os antigos laodiceanos, temos dito: "Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta" (Apocalipse 3:17); mas temos descoberto que a nossa riqueza, como a nossa beleza, é apenas de casquinha e não satisfaz nossas almas mortais.

Encaremos bem este fato: entramos neste mundo sem nada, e dele nada levaremos.

Onde é que apanhamos essa idéia de que o sucesso do homem e o de Deus são o mesmo? Você escreveu um livro; você é bom administrador e vendedor; é um artista de mão cheia; é um rico independente; ganhou fama e fortuna. Sem os dons da inteligência, imaginação, personalidade, e sem energias físicas – todos dádivas de Deus – onde você estaria?

Você não nasceu pobre? Não morrerá pobre? E não somos pobres, sem a infinita misericórdia e amor de Deus? Viemos do nada; e nada somos; e, se alguma coisa somos, é porque Deus é tudo. Se nos faltar o Seu poder por uns poucos minutos, se Deus cortar o nosso fôlego por alguns instantes, nossa existência física se anulará e a nossa alma voará para a eternidade sem fim. Os que são pobres de espírito reconhecem que são criaturas de Deus, e reconhecem o seu pecado; mas, também – o que é muito mais – estão prontos a confessar seus pecados e a abandoná-los de uma vez para sempre.
Segundo: Aquele que é pobre de espírito recebe as riquezas que Cristo adquiriu por Sua morte e ressurreição.

Nos últimos tempos a medicina tem avançado rapidamente na Terra. Descobrindo remédios para novas doenças, os homens têm encontrado novas vacinas para prevenir e debelar doenças outrora incuráveis.
Não seria coisa maravilhosa o homem encontrar cura absoluta para os males que infelicitam a natureza humana? Suponhamos que pudéssemos encher todos os corações humanos com o amor ao invés de enchê-los de ódio, de contentamento ao invés de tristeza. Isso resolveria de pronto todos os problemas que assoberbam o mundo nestes dias.

Nossos jornais diários registram amiúde o descontentamento e a infelicidade que lavram no mundo, como resultado da avareza, da cobiça, da concupiscência, de preconceitos e de desejos inconfessáveis. Se os homens se dessem por satisfeitos em qualquer estado em que se encontrassem; se pudessem amar seus semelhantes sem olhar para a cor de sua pele, ou para o formato do seu nariz; se aqueles que têm mostrassem compaixão e caridade para com os que não têm; se os invejosos e cúpidos deixassem sua criminosa ambição de poder – não seria este nosso mundo um lugar bem diferente?!

Suponhamos também que se descobrisse um remédio eficaz para os passados erros, falhas e pecados da humanidade. Suponhamos que, por um milagre, todo o passado pudesse ser endireitado e todas as complicações da vida pudessem ser resolvidas e soldados de novo todos os elos partidos! Por certo, tal cura levaria o mundo todo a se admirar sobremaneira!

A novidade mais empolgante em todo o mando é o fato de que há um remédio para os males do mundo! Sim, foi já apresentado um remédio! O homem pode obter perdão de todos os seus pecados! O emaranhado de sua vida pode ser removido completamente!

O pecado, a confusão e a desilusão da vida podem ser substituídos pela retidão, alegria, contentamento e felicidade. A alma pode gozar de uma paz que não depende de circunstâncias externas. Tal remédio, positivo e eficaz, nos foi apresentado por Jesus Cristo, já há dois mil anos na cruz do Calvário.

Em minhas viagens pelo mundo todo, tenho buscado uma cruz. Por quê? Por que a cruz se tornou o símbolo do cristianismo? É porque na cruz Jesus derramou o Seu sangue, que é a cura ou o remédio para todos os pecadores que reconhecem a sua pobreza espiritual e O recebem como o seu Salvador, Mestre e Senhor.

A morte de Crista naquela primeira sexta-feira santa não foi um mero acidente. Foi um ato do amor de Deus, reconciliando consigo os homens. O pecado se colocará entre Deus e os homens. O homem não poderia ser feliz, e nem podia encontrar contentamento, afastado ou separado de Deus. Por isso, na Sua graça e amor, Deus nos enviou o Seu Filho para carregar os nossos pecados e tirar a culpa e castigo que merecíamos.

Todavia, Deus requer alguma coisa de você. Sim; você precisa confessar a sua pobreza espiritual, renunciar seus pecados, e com fé voltar-se para o Filho de Deus, Jesus Cristo. Quando você fizer isso, você nascerá de novo. Ele lhe dará uma nova natureza. Ele porá em sua alma um pedaço do céu. Sua vida, então, se mudará por completo. O contentamento, a paz e a felicidade entrarão em sua alma pela primeira vez.

Em quase todas as igrejas do mundo ocidental há do encontrar homens contentes e felizes. E só os tenho encontrado onde Cristo foi pessoal e decisivamente recebido. Só existe um meio permanente para se obter essa paz de alma que desabrocha em alegria, contentamento e felicidade: é arrependendo-nos de nossos pecados, e crendo em Jesus Cristo como o nosso Salvador pessoal.
Você já teve esse momento decisivo em sua vida? Já tem a experiência da aceitação de Cristo? Isso não é apenas uma experiência emotiva, não. É render ou submeter sua vontade a Cristo. Você quer de fato ser feliz? Para isso você precisa pagar o preço de se humilhar aos pés da cruz e receber a Cristo como o seu Salvador.

Terceiro: Para ser pobre de espírito, você precisa ter plena consciência de que em tudo depende de Deus.

Jesus nos disse algo sobre a necessidade de nos tornarmos como crianças antes de podermos entrar no reino do céu. As crianças são dependentes, isto é, dependem de seus pais, para que sejam protegidas e bem cuidadas. Por causa de sua relação e posição, não são pobres. Se não fosse essa relação que têm para com os seus pais, seriam de fato pobres.

Como filhos de Deus, dependemos dEle. A Bíblia diz: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem" (Salmo 103:13).

Os filhos dependentes gastam pouco tempo se afligindo com refeições, roupas e abrigo. Sentem e acham que têm direito a tudo isso, e que os pais lhes proverão isso tudo.

Jesus disse: "Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? ... buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mat. 6:31,33).

Porque Deus Se responsabiliza pelo nosso bem-estar, é-nos dito que devemos lançar sobre Ele todos os nossos cuidados, pois que Ele cuida de nós. Pelo fato de dependermos de Deus é que Jesus disse: "Não se turbe o vosso coração" (João 14:1). E Deus nos diz: "Tomarei o fardo – não penseis nisso – deixai-o para mim."

Os filhos dependentes não se acanham de pedir favores. Não seriam normais, se não tornassem abertamente conhecidas as suas necessidades.

A Palavra de Deus diz a Seus filhos necessitados: "Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hebreus 4:16). Deus tem plena consciência de que dependemos dEle nas necessidades de nossa vida. Por essa razão, Ele disse: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á" (Mateus 7:7).

Feliz é o homem que aprendeu o segredo de ir a Deus diariamente em oração. Quinze minutos, a sós com Deus, em cada manhã, antes de começar o dia, podem mudar as circunstâncias e remover montanhas!
Mas, toda essa felicidade e todos esses ilimitados benefícios que provêm do tesouro do céu dependem de nossa relação para com Deus. Absoluta dependência e absoluta rendição são as condições de sermos filhos de Deus. Somente os filhos dEle têm o direito de receber essas coisas que lhes proporcionam felicidade. E, para sermos Seus filhos, precisamos submeter inteiramente a nossa vontade à vontade do Pai celestial.

Precisamos reconhecer a nossa pobreza antes de podermos ser enriquecidos. Precisamos admitir que nada temos antes de nos tornarmos filhos por adoção.

Quando percebemos que toda a nossa bondade ou boas obras não passam de trapos imundos aos olhos santos de Deus, e sentimos o poder destrutivo de nossa vontade e teimosia, quando sentimos profundamente a nossa absoluta dependência da graça de Deus pela fé e não por outro qualquer meio, daí temos iniciado nossa caminhada de felicidade.

O homem não chega a conhecer a Deus pelas obras: conhece-O pela fé, mediante a graça. Você não pode abrir seu caminho para a felicidade e para o céu, você não pode moralizar o seu caminho, nem pode reformá-lo, nem comprá-lo. Isso nos vem como um dom de Deus, por meio de Cristo.
Quarto: Se você quer ser pobre de espírito, precisa voluntariamente negar-se a si mesmo, para poder servir melhor a Cristo.

O pobre de espírito é aquele que quer vender o estoque que tem de si mesmo e fazer o que Jesus ordena: "Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-Me" (Mateus 16:24).

Essa nossa filosofia moderna de confiança em si mesmo e de suficiência própria tem levado muitos a pensar que o homem pode conseguir tudo sem Deus. Então, muitos deles argumentam assim: "A religião pode ajudar bem a pessoas emotivas, e não devemos censurar aquele que crê em seus próprios poderes." Qual o resultado? Esta nossa geração de indivíduos confiados em si mesmos tem produzido maior número de alcoólatras, de toxicômanos, de criminosos, e mais guerras, e mais lares destruídos, mais assaltos, mais desfalques em bancos, mais assassínios e mais suicidas que em qualquer outra geração. Já é tempo de todos nós, começando pelos intelectuais, fazermos o balanço de nossas derrotas e cincadas e desatinos que tanto nos têm custado. Já é tempo de confiarmos menos em nós mesmos e de pormos mais fé e confiança em Deus.

O homem rico que procurou a Jesus estava tão cheio de sua própria piedade, de suas riquezas e de ambição, que se revoltou quando Jesus lhe disse que o preço da vida eterna era "vender tudo" e vir seguí-lo. Saiu triste da presença de Cristo, diz a Bíblia, porque não podia negar-se a si mesmo, não podia se desapegar do que possuía. Achou impossível tornar-se "pobre de espírito", porque tinha idéia muito elevada de sua importância pessoal.

Tudo ao nosso redor é arrogância, orgulho e egoísmo. São os resultados do pecado. Dos céus desce uma voz que diz ao mundo atormentado e em bancarrota:

"Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. ... Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo" (Apocalipse 3:18,20).

O céu nesta vida e o céu na vida futura não se cifram por padrões monetários. Nem carne e sangue podem encontrar a porta do reino do céu com o seu contentamento, paz, alegria e felicidade. Só os que são pobres de espírito e ricos para com Deus serão considerados dignos de entrar lá porque se apresentam não confiados em seus merecimentos, mas confiados na retidão do Redentor.

"Bem-aventurados são os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus."


Por: Billy Graham - Um trecho de seu Livro O Segredo da Felicidade - Tradução de Waldemar W. Wey
2ª. edição -1962 - CASA PUBLICADORA BATISTA