Literatura Gospel



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O amor - Compromisso Precioso

Casamento sem amor é como carne sem tempero.

O fundamento do matrimonio é o compromisso. Mas é o amor que lhe dá alegria, romantismo, sabor. O compromisso pode manter uma união conjugal, levando-a a superar todas as crises. Mas sem amor o casamento será frio, desinteressante, monótono. Por isso o casal deve cuidar do amor, alimentar o
amor, investir no amor.

O apóstolo Paulo escreveu: "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará" (1 Coríntios 13.1-3). Estas palavras do apóstolo foram dirigidas aos crentes de Corinto. Elas não são específicas para marido e mulher. Mas são para eles também. Aplicadas aos cônjuges, elas podem ser parafraseadas assim: "Ainda que eu fale as palavras mais belas e mais agradáveis de ouvir, se não tiver amor pelo meu cônjuge, serei com um som harmonioso que encanta o ouvido, mas logo cessa. Ainda que eu seja praticante da melhor religião; ainda que eu tenha grande conhecimento bíblico e muita fé, se não tiver amor pelo meu cônjuge, nada serei. Ainda que eu proporcione ao meu cônjuge todo conforto e comodidade, e ainda que a minha vida seja de constantes sacrifícios pela minha família, se não tiver amor pelo meu cônjuge, nada disso me aproveitará".

Para transformar o casamento que você tem no casamento que você quer, é necessário cultivar o amor.
Ficar Mais Tempo Juntos Vamos lembrar a história do casamento de Adão e Eva. Quando Deus criou a
mulher e a entregou ao homem, celebrando assim o primeiro casamento, Adão disse: "Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada" (Gênesis 2.23). Transbordava de alegria.

Mais tarde, porém, quando foi interrogado por Deus sobre os motivos por que comera do fruto proibido, ele se justificou assim: "A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gênesis 3.12). Antes Eva era "osso dos meus ossos e carne da minha carne", mas agora era "a mulher que me deste por esposa". O que havia acontecido? Os primeiros versículos desse capítulo três nos dão uma chave para compreender o que acontecera. E não nos referimos à queda, mas à ausência do esposo. Quando a serpente abordou a mulher, ela estava só. E Adão, onde estava? Talvez, se ele estivesse ao lado da esposa, a história da humanidade seria outra.

"Um estudo feito por um sociólogo húngaro, Karoly Varge, que incluiu 30.000 pessoas em onze países, destaca que a estabilidade do casamento e do lar depende do tempo gasto em conversar. Quanto mais tempo gastamos um com o outro, tanto mais desejamos a companhia recíproca."1

No capítulo anterior, observamos que o casamento de Isaque e Rebeca sobreviveu porque estava fundamentado no compromisso. Mas havia também amor entre eles. E esse amor era cultivado no dia-a-dia, mesmo em circunstâncias adversas. Um exemplo disso está registrado no capítulo 26 de Gênesis. O casal estava em Gerar, entre os filisteus. Isaque havia dito que Rebeca era sua irmã, por temer que os homens daquele lugar o matassem para tomar-lhe a esposa. O casal devia estar vivendo uma grande tensão, mas continuava cultivando o seu amor.

Prova disso é que "Abimeleque, rei dos filisteus, olhando da janela, viu que Isaque acariciava a Rebeca" (Gênesis 26.8).

Marido e mulher precisam ficar juntos para cultivar o amor. "Aprendemos a nos conhecer mutuamente e a experimentar um sentimento de união quando tomamos tempo para compartilhar da alma um do outro, para ler a mente um do outro e para gostar da presença e daquilo que o outro gosta."2

Ficar mais tempo juntos é importante para cultivar o amor e, também, para resolver no nascedouro os problemas que possam surgir entre os cônjuges. John e Betty Drescher falam sobre isso contando a seguinte experiência: "Há várias semanas notamos que nosso carro não estava funcionando bem. Por estarmos muito ocupados, não o levamos ao mecânico. Fomos deixando o barco correr. Certa manhã o carro não pegou. Finalmente, depois de muito tempo e esforço, conseguimos levá-lo à oficina e consertá-lo. O problema no início era simples e poderia ser facilmente remediado, se tivéssemos tomado providências imediatas.

Por não ter sido atendido, ele causou outros problemas mecânicos, além de exigir mais tempo e provocar mais prejuízos. O casamento também é assim. Quando deixamos passar as pequenas coisas por acharmos que não temos tempo para conversar e resolver a situação, elas se tornam sérias e afetam todo o nosso relacionamento. Por não tomarmos o tempo inicial necessário, reparos grandes
são, algumas vezes, imprescindíveis".3

Marido e esposa precisam passar mais tempo juntos para cultivar o amor.

Reviver e Praticar Cortesias e Amabilidades

As cortesias, as amabilidades, o romantismo e o carinho do período de namoro não podem cessar após o casamento. John e Betty Drescher afirmam: "O amor que dura não é o que nos levou ao altar, mas aquele manifestado e experimentado todos os dias. Se a bondade, a cortesia, a consideração e as palavras e os atos amorosos foram necessários para a manutenção do amor no namoro, esses mesmos elementos de afeto são igualmente exigidos para a manutenção e preservação do amor no casamento.

Além disso, sabemos hoje que, quando pomos em prática até mesmo algumas das pequenas cortesias e bondades que praticamos antes do casamento, este avança gloriosamente. Se os pequenos presentes
escolhidos com cuidado, os beijos ao se encontrarem e se despedirem, e as palavras: amo você, e gosto de você, passarem do namoro para o casamento, este não ficará monótono".1

O apóstolo Paulo afirma que o amor é o dom supremo. E o descreve assim: "O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Coríntios 13.4-7). Estas palavras mostram que o amor se manifesta em atos concretos.

Marido e esposa cultivam o amor quando se empenham na busca do bem-estar um do outro.

Mas o amor deve manifestar-se também em palavras. O psicólogo Clyde M. Narramore afirma que "amar sem reafirmá-lo em palavras não basta". E acrescenta: "Precisamos de que os outros declarem que nos amam. Tanto as crianças como os adultos querem ser amados. A esposa bem pode perguntar ao marido: Querido, você gosta de mim?. Pode ela estar mais do que certa de que ele a ama; porém, é grato ouvi-lo dizer isso de novo - uma e muitas vezes. É falta de consideração, e crueldade até, deixarmos nossos entes queridos em dúvida quanto ao afeto que lhes temos".5

Em Provérbios 5.18 está escrito: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade". Marido e esposa devem fazer do seu casamento uma união harmônica, agradável e feliz. O amor que sentem um pelo outro deve ser uma fonte de alegria e prazer.

O Amor Nasce, Cresce, Morre e Ressuscita

O amor nasce... cresce... pode morrer... mas também pode ressuscitar. George E. Sweazey escreveu o seguinte: "O casamento não é o resultado do amor, é a oportunidade de amar. As pessoas se casam para descobrir o que é o amor. Não é o destino que torna a pessoa o nosso amor verdadeiro e único, mas a
vida. São as dificuldades enfrentadas juntos, o inclinar-se diante de uma cama de doente e lutar para chegar ao fim do mês dentro do orçamento; é um milhão de beijos de boa-noite e sorrisos de bom-dia; são os dias de férias na praia e as conversas no escuro; é o respeito crescente e mútuo que nasce da afeição e do amor."6

O amor pode ser comparado a uma árvore. No princípio é apenas uma semente. Depois germina, nasce, cresce, floresce, frutifica. Mas em todas essas fases a planta necessita de cuidados especiais. Se não receber os cuidados necessários, o seu desenvolvimento fica prejudicado. Pois assim também é o amor. Do primeiro encontro ao último adeus, ele necessita de cuidados especiais. Se não receber o
cuidado necessário, pode até morrer.

Os cônjuges devem cultivar o amor porque um casamento sem amor é como uma noite sem luar. Falta-lhe romantismo, luz e brilho. E o pior é que as trevas da falta de amor podem levar os cônjuges a caminhos que eles jamais devem trilhar. O ser humano sente uma inata necessidade de amar. E quando não encontra o amor dentro de casa, costuma buscá-lo lá fora. E lá fora não existe amor, existe paixão - que atrai, seduz, ilude e, por fim, machuca. O amor só pode viver à sombra da comunhão. E fora do casamento não há comunhão - há comprometimento.

"E quando não existe mais amor?", perguntam algumas pessoas.

John e Betty Drescher respondem: Ao aconselhar casais, encontramos alguns que nos dizem que nada restou de sua união. Eles não têm mais qualquer sentimento de amor um pelo outro - cada gota de
amor esgotou-se, dizem. A única alternativa que lhes sobra é o divórcio. E querem nossa aprovação para separar-se. Dizemos simplesmente a esses casais:

"Vocês se amaram um dia, não é?"
"Sim!", respondem. "Mas tudo acabou. Nosso amor está morto".
"Só há então uma coisa a fazer", replicamos. (O casal espera aqui uma confirmação de que o casamento acabou e a única resposta é o divórcio.) Imagine a surpresa deles quando dizemos: "A única coisa que podem fazer é aprender a amar de novo".7

Eles afirmam que "o amor não é como uma vacina que garante a felicidade para sempre, depois de recebida. Não é um raio caído do céu que nos atinge e fica conosco para sempre. Não é uma flecha atirada por Cupido, e de repente ficamos cheios dele. O amor é uma resposta aprendida".8

Cultivar o amor faz com que ele cresça e amadureça. E ressuscite, caso tenha morrido. Casais que deixaram de se amar não precisam de divórcio - precisam ressuscitar o amor, precisam amar de novo. Uma senhora que viveu esta experiência deu o seguinte testemunho: "Eu não amava mais Roberto. Então
comecei a perguntar: Como eu agiria se amasse meu marido? Comecei a aprender conscientemente aquilo de que ele gostava ou não gostava. Preparei os seus pratos favoritos. Participei de seus passatempos. Comprei surpresas para colocar em sua lancheira. Demonstrei a ele o meu amor em todas as ocasiões possíveis. Eu, agora, o amo de todo o coração".9 Talvez você diga que isso é hipocrisia. Mas o Dr. Gary Chapman, conselheiro matrimonial de renome internacional, esclarece: "Se você afirmar ter sentimentos que não nutre, isso é hipocrisia. Porém, expressar um ato de amor em benefício, ou para o prazer de outra pessoa, é um ato de escolha".10

Conclusão

O compromisso sustenta a durabilidade do casamento. Muitos casais perderam por completo o amor que existia entre eles. E continuam juntos. E, por causa do compromisso, ficarão casados até que a morte os separe. Mas esse tipo de casamento está muito distante do sentido do matrimônio instituído por Deus.

Casamento sem amor é como carne sem tempero: nutre mas não tem sabor. O convívio conjugal sem amor é frio, monótono, desinteressante... e perigoso. Por isso o casal precisa lutar para manter acesa a chama do amor. E se esta vier a se apagar, deve lutar para reacendê-la.

O ideal do casamento é que marido e esposa vivam juntos, com muito amor, felizes, até que a morte os separe.

Para Refletir

"Assim como um diamante não passa de pedaços de carvão negro soldados no mesmo ponto sob uma pressão tremenda, o amor conjuga] profundo é aquela possessão preciosa, que aumenta de valor a cada dia e ano, de lutar e permanecer juntos".11

1 John & Bctty Dreschcr, Começar de Novo, p. 31
2 John & Betty Dresher, op. cit., p. 21
3 John & Betty Drescher, op. cit., p. 23
4 John & Betty Drescher, op. cit, p. 13
5Clydc M. Narramore, Como Ser Feliz, p. 20 c 21
6 George E. Sweazey, citado por John & Betty Drescher, in op. cit, p. 15
7 John & Betty Drescher, op. cit, p. 15
8 John & Betty Drescher, op. cit., p. 14
9 John & Betty Drescher, op. cit., p. 15
10 Gary Chapman, As Cinco Linguagens do Amor, p. 158
11John & Betty Drescher, op. cit, p. 10


Por Adão Carlos Nascimento - Oficina de Casamentos