Literatura Gospel



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George Whitefield

Provavelmente nenhum pregador desde os dias do apóstolo Paulo viajou tanto quanto Whitefield

GEORGE WHITEHELD, PRÍNCIPE DOS PREGADORES de campo, nasceu em Gloucester, Inglaterra, em 1714, e morreu em Newburyport, Massachusetts, Estados Unidos, em 177O. Quando menino, desde cedo evidenciou na escola capacidade dramática e elocutória e, quando fazia o trabalho de simples ajudante na taberna de sua mãe, em Gloucester, escreveu vários sermões. Por causa de seu evidente talento e inclinação religiosa, aos dezoito anos Whitefield foi enviado a Oxford, onde entrou em contato com os Wesleys e uniu-se ao "Clube Santo". Embora Whitefield tivesse orado mil vezes para que o púlpito não fosse seu destino, em 1736, ele foi ordenado pelo bispo de Gloucester. Acerca do seu primeiro sermão, ele comenta: "Uns poucos escarneceram, mas a maioria dos presentes pareciam comovidos".

Em 1738, atendendo a chamada urgente dos Wesleys, Whitefield foi para a Geórgia. Nesse listado, ele fundou o orfanato para cujo sustento ele viajava pelas colônias de toda a Grã-Bretanha.

Provavelmente nenhum pregador desde os dias do apóstolo Paulo viajou tanto quanto Whitefield, pois ele fez treze viagens pelo Oceano Atlântico, numa época em que era comum uma viagem durar dois ou três meses. Na volta de sua segunda viagem aos Estados t toados, ele ficou sabendo que os Wesleys tinham ido para o arminianismo e se retirado da comunhão deles por causa do rígido calvinismo que ele defendia. Quando a notícia acerca da morte de Whitefield. ocorrida nos Estados Unidos, chegou a Londres, uma seguidora de Whitefield dirigiu-se a Jolin Wesley após um de seus sermões e lhe perguntou se ele esperava ver Whitefield no céu. Wesley disse que não. "Ah", disse a mulher, "achei que o senhor diria isso". "Mas espere, senhora", acrescentou Wesley, "quando eu chegar ao céu, George Whitefield estará tão perto do trono que um pobre pecador como eu nunca conseguirá obter um vislumbre dele".

Durante suas viagens itinerantes pelos Estados Unidos, Bermudas e Grã-Bretanha, Whitefield sempre estava pregando. Sua "pequena freqüência" era uma vez a cada dia da semana e três vezes no domingo.

A primeira vez que Whitefield descobriu as profundas emoções que ele instigava no coração dos ouvintes, foi quando pregava a milhares de mineiros nos campos perto de Bristol e viu, no rosto enegrecido dos homens, traços brancos feitos pelo curso das lágrimas descendo pelas faces. Onde quer que pregasse, Whitefield deixava uma impressão inesquecível. Não era só a multidão de pessoas comuns que o ouvia alegremente, mas filósofos como Hume e Franklin e atores como Foote e Garrick prestam tributo ao seu maravilhoso poder como pregador. Pregando certa vez numa sala de recepção para a aristocracia de Londres, ele descreveu tão vividamente um cego à beira de um precipício, que o mundano Chesterfield clamou: "Pelo amor de Deus, Whitefield, salve-o!" David Garrick lhe invejava a habilidade de pro¬nunciar a palavra "Mesopotâmia" de certo modo que tangia os mais profundos acordes da emoção. Ele deve ter tido uma voz maravilhosa, pois Franklin, andando perto do lugar onde ele estava pregando, calculou que ele podia ser ouvido com facilidade por trinta mil pessoas. Na famosa feira de Moorfields, os espetáculos foram abandonados pelas pessoas que se aglomeravam para ouvir o grande pregador.

Talvez o tributo mais conhecido à eloquência de Whitefield seja a história de que quando Franklin foi ouvi-lo na Filadélfia, determinou não ofertar para a coleta e. assim, provaria para si mesmo que estava acima da fraqueza dos seus compatriotas. À medida que Whitefield prosseguia, Franklin cedeu e decidiu ciar as moedas de cobre que tinha; depois as de prata e, mais tarde, as de ouro; e quando a salva foi passada, Franklin derramou nela tudo o que possuía e ainda pediu a um amigo que estava perto dele que lhe emprestasse mais.

Os sermões publicados de Whitefield não dão a concepção do domínio que ele exercia sobre as milhares de pessoas que o ouviam. Não são marcados pela lógica, nem pela penetração profunda ou análise sutil. Mas sempre soam com a nota da veemência. O prono¬me da segunda pessoa é constantemente empregado, e desde o início é evidente que Whitefield tem em vista um único fim: a salvação da alma daqueles que o ouviam. O sermão "Arrependimento" é bom exemplo de como Whitefield lutava com as almas.


Fonte: Livro GRANDES SERMÕES do MUNDO - CLARENCE E. MACARTNEY, Editor TRADUÇÃO: DEGMAR RIBAS JÚNIOR - CPAD