Literatura Gospel



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Deus não se limitou a criar o sexo

A mais íntima comunicação entre um homem e uma mulher

A mais íntima comunicação entre um homem e uma mulher se dá por meio do sexo. O Antigo Testamento usa o termo "conhecer" quando se refere ao ato sexual, demonstrando que "o ato em si envolve a pessoa toda, o ego completo, a personalidade inteira", e que este é "o meio pelo qual o ser humano se revela mais completamente do que é possível em qualquer outra relação entre duas pessoas".1
E isso foi instituído por Deus na criação.

Quando Deus criou o homem, "homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse; Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra" (Gênesis 1.27,28). Deus já havia criado todos os animais, cada um segundo a sua espécie. E alguns eram hermafroditas, isto é, tinham os órgãos de reprodução masculinos e femininos. Se quisesse, ele poderia ter criado o ser humano andrógino, mas Deus preferiu criar homem e mulher. E no registro da formação da mulher está escrito: "Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gênesis 2.24). Mais tarde o apóstolo Paulo explicou que é por meio do ato sexual que homem e mulher se tornam uma só carne (1 Coríntios 6.16).

Portanto, Deus nos criou seres sexuados e ordenou que marido e mulher vivam a sua sexualidade.

O ato sexual entre marido e esposa foi instituído por Deus e é aprovado por ele. O livro de Provérbios está repleto de expressões que incentivam o marido a ter relação sexual com a esposa. Veja, por exemplo, este conselho:" Alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias" (Provérbios 5.18,19). E o autor da Epístola aos Hebreus declara: "Digno de honra entre todos
seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula" (Hebreus 13.4).

Mas Deus não se limitou a criar o sexo; ele também estabeleceu as normas para a vida sexual dos seres humanos. Vejamos, agora, algumas dessas normas.

Ato Sexual Só no Casamento

"Deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gênesis 2.24). A ordem dada na criação é muito clara: "Deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher", isto é, case-se, e só depois tornem-se os dois uma só carne. O Dr. Carlos "Catito" Grzybowski, em seu livro Macho e Fêmea os Criou, mostra que, na Bíblia, "o sexo está restrito ao casamento". E afirma: "O sexo precisa de uma relação duradoura e permanente para desenvolver-se na sua plenitude". E, a seguir, com a sua longa experiência de psicólogo bem-sucedido, fala das consequências desastrosas da desobediência a esse princípio, afirmando: "Quem faz violência a esse desígnio de Deus encontra no sexo uma fonte de insatisfação e desencanto".

Diante disso, muitas pessoas perguntam: E os servos de Deus, no Antigo Testamento, que se relacionaram com várias mulheres? Abraão, o pai da fé.

enquanto casado com Sara teve um filho com Hagar (Gênesis 16.1-16). Jacó tinha duas esposas, Raquel e Lia, e ainda teve filhos com Bila e Zilpa (Gênesis 29.31- 30.24). Elcana era um homem piedoso, que "subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos em Silo". Mas "tinha ele duas mais longe do que todos os seus antepassados, chegando a ter "setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas" (1 Reis 11.3). Esses homens estavam cometendo adultério? No período do Antigo Testamento a poligamia era tolerada.

Naquela época, um homem podia casar-se com mais de uma mulher. E a esposa podia oferecer sua serva ao marido, ordenando que ela coabitasse com ele. Esse costume tão estranho tem uma explicação: o valor da esposa era proporcional à quantidade de seus filhos. Quanto maior o número de filhos, melhor era a esposa. E como os filhos da serva com seu senhor eram considerados filhos de sua senhora, as esposas ordenavam às suas servas que coabitassem com seu marido para aumentar-lhes o número de filhos. E em relação às concubinas, elas também eram consideradas esposas, ainda que de segunda categoria. Geralmente, eram criadas ou escravas que passavam à categoria de esposa, com a aprovação das demais esposas. Portanto, Abraão, Jacó, Elcana, Salomão e outros que tiveram mais de uma esposa seguiram o costume de seus contemporâneos, vivendo um estilo de vida conjugal que era amparado pelas leis em vigência e aceito pela sociedade daquela época. Mas hoje a situação é bem diferente. Cada homem deve ter apenas uma esposa; e cada mulher, apenas um marido. Este é o ensino de Jesus: "Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo Que já não são dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mateus 19.4-6).

O Ato Sexual Entre Marido e Mulher É Recomendado Por Deus

"O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência" (1 Coríntios 7.3-5). O marido tem o dever de satisfazer as necessidades sexuais de sua esposa; e a esposa tem a obrigação de satisfazer as
necessidades sexuais de seu marido. O Prof. Clinton Gardner, em seu livro Fé Bíblica e Ética Social, afirma: "De acordo com a Bíblia, o sexo é sagrado e deve ser aceito com gratidão e não com temor. O homem é unidade de carne e espírito, e cada uma dessas partes deve ser aceita como boa na sua ordem. Como carnal, os desejos humanos de alimento, água, descanso e relações sexuais pertencem à existência humana normal, e se baseiam na vontade do Criador. Naturalmente, cada um desses desejos está sujeito a abuso por causa da liberdade do homem, mas nenhum deve ser considerado mau por essa razão".3 É claro que o ato sexual é uma forma de declaração de amor, e não deve ser praticado simplesmente como cumprimento de um dever, mas o marido ou a esposa que priva seu cônjuge da relação sexual está expondo-o à tentação. E, infelizmente, muitos servos de Deus - tanto homem quanto mulher - têm caído em adultério por culpa de seu cônjuge.

Um marido ou uma esposa abrasado pode ser presa fácil de Satanás.

"Feliz é a mulher que olha para o ato matrimonial como meio de demonstrar o seu amor ao marido, e ele por ela. Num sentido vital, esta pode ser a única experiência que ela e seu marido têm juntos, a qual não têm que dividir com outra pessoa. Se ela é uma boa cozinheira, seu marido pode ter que dividir a arte cortesias, e, praticamente, com todas as demais áreas da vida. O ato matrimonial,
contudo, é singular, por ser a experiência da qual excluem todo o resto do mundo."1

O Ato Sexual Exige Respeito

"Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros" (Hebreus 13.4). O conceito mundano de que "entre quatro paredes vale tudo" deve ser exorcizado pelos cristãos. As chamadas práticas sexuais "liberadas" deterioram a qualidade do relacionamento do casal. Elas não são prova de amor. O casal que realmente se ama não precisa praticá-las. Além de absolutamente desnecessárias para o casal que realmente se ama, as práticas sexuais "liberadas", perversas, animalescas e degradantes são duramente condenadas por Deus. Na Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo declarou: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens ... Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;... Por causa disso, os
entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza" (Romanos 1.18, 24, 26).

O leito matrimonial deve ser testemunha de um relacionamento amoroso, educado, gentil e respeitoso entre marido e mulher. "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade" (1 Pedro 3.7).

Conclusão

Casamento não é só sexo. Mas por meio do sexo marido e mulher têm a mais íntima e completa comunicação. Por isso, o Antigo Testamento usa o termo "conhecer" para referir-se ao ato sexual. Isso significa "um entregar-se totalmente ao outro, mostrando-se vulnerável, desarmado perante o outro. ... Conhecer o outro na sua plenitude é aventurar-se também a revelar-se plenamente, ou seja, tal qual somos, com nossas belezas e nossas feiuras interiores".5 O ato sexual é íntimo e exclusivo: ele é a única experiência que pertence exclusivamente ao casal e que não é compartilhada com nenhuma outra pessoa.

Feliz é o homem e feliz é a mulher que olha para o ato sexual como meio de demonstrar o seu amor ao seu cônjuge.

Para Refletir

"O mais importante é a aliança que tenho com meu cônjuge, que se renova a cada dia nos pequenos gestos de ternura e de doação e entrega ao outro; nos valores do perdão e de disposição de perdoar; no deixar de pensar que meu umbigo é o centro do universo e perceber no outro a maravilhosa criatura, imagem e semelhança do Criador, que é capaz de me surpreender a cada dia com novas e fascinantes maneiras de revelar-se a mim"6 (Carlos "Catito" Grzybowski).

1 E. Clinton Gardner, Fé Bíblica e Ética Social, p- 261
2 Carlos "Catito" Grzybowski, Macho e Fêmea os Criou, p. 40


Adão Carlos Nascimento - Oficina de Casamento